Sábado 17/09 - Grupo de Estudos d'O Capital



"Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo diferentemente, cabe transformá-lo” - Karl Marx


O grupo de estudos d'O Capital ocorre todo terceiro sábado do mês, no Espaço Cultural Mané Garrincha, aberto a quem estiver disposto. Leremos neste sábado (dia 17):

Livro 1 – Vol. 1 – cap. 13 A maquinaria e a indústria moderna (pontos 7, 8 e 9)

Quando: 17/09/2016 
Sábado - às 15h.
Espaço Cultural Mané Garrincha

Endereço: Rua Silveira Martins, 131 sala 11, Sé, São Paulo/SP

Editorial (Jornal Aroeira Nº11)



Em uma manhã de sol, certa Baronesa inglesa pôs-se a abrir as cor­tinas do neoliberalismo. Ao olhar o horizonte e ver tanta liberdade, sorriu com seus dentes de ferro, dizendo entusiasmada:

— Isto que chamam de sociedade é algo que não existe (1).

Mais recentemente, no Brasil, enquanto o frio se aproxima, governantes reafirmam a ine­xistência da sociedade (e a existência da tal Baronesa) e se colocam como ateus perante ela. Consequentemente, derrubam a presidenta que a sociedade elegeu, como se esta, de fato, não existisse (2). E assim, a própria sociedade, sem garantias nem direitos, e sem tempo para resolver questões existenciais - já que está fazendo banco de horas -, pergunta-se se é possível existir, ou melhor, resistir.

Se em alguns editoriais passados o “impeachment” parecia somente o novo hino da torcida verde e amarela - que mesmo com o time perdendo todos os placares continuava acreditando na vitória com muito orgulho e com muito amor-, agora se assemelha mais a um grito de gol. Gol da virada, do golpe final.

Talvez tenhamos subestimado o golpe de Estado quando dissemos que ele era qua­se impossível, devido alguns obstáculos jurídicos e políticos [editorial aroeira maio/15]. Esquecemos que para ganhar a partida, a burguesia compra o juiz, o apito, remonta o time e recria as regras do jogo. E se dissermos “é golpe!”, o juiz apita a expulsão. O jogo é extinto, e o menino mimado, dono da bola, sai com ela embaixo do braço.

Com o desfecho do golpe, as mentes “empreendedoras” já começam a planejar pontes por onde o futuro, e otras cositas mas (3), irão passar. Na “carta aos banqueiros” (4), a expectativa de Temer e sua patota é que a ponte nos faça ingressar “definitivamente no grupo restrito dos países desenvolvidos” (5), que tem lista de convidados à porta e número máximo de ingressantes. Por isso, a ponte será estreita e deixará de fora os “excessos” do antigo Governo Federal (programas, indexações orçamentárias, “seja para salários, bene­fícios previdenciários e tudo mais”), mas somente porque “desembocará na volta do cres­cimento econômico”. Quem não couber em cima, que vá para debaixo da ponte. Afinal, a proposta não é resolver o problema da segregação social do país, nem tampouco romper com o circulo vicioso que prende a nós e toda a América Latina ao subdesenvolvimento, mas sim pendurar as chuteiras e chegar a tempo para o chá das 17h de Thatcher. Durante o chá fala-se em crescimento, mas arrota-se “ajuste fiscal”.

É interessante notar como a discussão se pauta por questões legislativas e não es­truturais. É como se rearranjar algumas leis, extinguir alguns direitos e reformar o sistema político fizesse a economia crescer. Isso, entretanto, equipara-se a colocar sal no chá, pen­sando ser açúcar. Ou seja, não há reforma ou ajuste que nos faça ascender na geopolítica imperialista. As “medidas de emergência”, mudanças constitucionais e soluções fiscais, “muito duras para o conjunto da população”, só farão aprofundar a crise econômica, a se­gregação social e nosso subdesenvolvimento crônico. A roupa da Baronesa não nos serve! Sem que façamos profundas transformações sociais, jamais deixaremos de ser o quintal de impérios ultramarinos - antes explorando trabalhadores escravizados, hoje explorando seus herdeiros, os terceirizados.

Por outro lado, ao contrário do que disse a senhora Thatcher, a sociedade não só existe como é o que melhor caracteriza o ser humano (6); e, assim como os burgueses erraram ao decretar o fim da história, a baronesa também “errou” ao negar a existência dos agrupa­mentos humanos orgânicos, organizados. A sociedade continua sendo a condição de nossa sobrevivência diante da predação e barbárie, mesmo estando cindida em duas classes, dois times – inconciliáveis.

Pois bem, aqui estamos: reunidos no meio de campo. Isto porque o time adversário resolveu marcar gol roubado e o juiz, comprado, nem se manifestou. E nós, que só quería­mos jogar uma pelada, tivemos que elaborar novas estratégias para vencê-los. Concluímos que o mais importante no jogo são os jogadores – dentre eles, o das pernas tortas. A estraté­gia agora é partir para o ataque. Enxotamos o juiz e sua parafernália: apitos, regras e, quiçá, o time adversário e sua bola. Organizados e unidos, não tem quem nos vença!

Que eles construam pontes bem longe daqui, e torçam para não atrapalharem as vistas de certas janelas neoliberais.

Espaço cultural Mané Garrincha
Junho 2016

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1 A baronesa em questão é Margareth Thatcher, também conhecida como a Dama de Ferro, por sua austeridade em relação às organizações trabalhistas. Thatcher foi o segundo governo neoliberal da história (precedido do governo de Augusto Pinochet). Porém, estabeleceu-se como o modelo de neoliberalismo.
2 Deixamos claro, entretanto, que o partido da presidenta também traiu nossa sociedade ao chegar no poder e continuar a bancarrota nacional.
3 Afinal, esta também será a ponte para as já mencionadas contas em paraísos fiscais de Michel Temer, por onde passarão também as propinas de empresas nas negociatas com o governo.
4 Programa do PMDB “Uma ponte para o futuro”, de 29 de outubro de 2015.
5 As frases entre aspas deste e do próximo parágrafo são trechos do tal programa.

6 Baseamo-nos em Karl Marx, que escreveu em O Capital: “(...) o homem é, por natureza, se não um animal político, como acha Aristóteles, em todo caso um animal social”

Romper os ciclos da violência - Tradução do Editorial da Revista Comunera (México)

Assim como os círculos do inferno de Dante, em sua Divina Comédia, também são os círculos de violência no México, e no mundo, e se classificam segundo o tipo de crime, vítimas, frequência e quantidade de atrocidades. No entanto, os rostos e nomes das vítimas de criminosos, terroristas, farsantes, narco-mafiosos e exploradores, têm uma mesma marca: A do narco-estado e do narco-capital! O inferno é o sistema!
Há ciclos de violência “visíveis”, como os assassinatos, assédios e sequestros de mulheres, jovens e crianças. As lutas e denúncias nos meios de comunicação têm sido marcadas com nomes de tragédias humanas, como feminicídios, assassinatos de jovens e infanticídios.
O mesmo acontece com a criminalização dos migrantes e imigrantes, cujo destino chega a ser a fossa clandestina, o roubo, o sequestro, os estupros, o trabalho escravo, a prostituição, ou ainda quando seus órgãos são retirados e vendidos. Estes “destinos” também são realidade para quem sofre a desapropriação de terras e água, a destruição de suas culturas, o deslocamento de suas comunidades, os massacres, a redobrada exploração dos povos originários, dos pobres do campo e da cidade.
Todos os casos de violência cruzam a questão de classe, gênero,
faixa etária, etnia, cultura e a vida em cada região. Como, então, nos deter em um caso sem olhar para o outro, se os círculos se comunicam tanto entre oprimidos como entre opressores? Menos visíveis, porém contundentes, são as agressões contra aqueles que transmitem a informação: comunicadores de meios comerciais ou livres; ou os defensores dos direitos humanos.
O cerco imposto pelos monopólios dos meios de comunicação, em cumplicidade com o governo, é pouco a pouco rompido por ambos os grupos. Eles criam redes sociais e, alguns, se vinculam a outras vítimas desse terror sistêmico; uns auxiliam à comunidades e povos, outros a coletivos feministas, a grupos que lutam pela paz e a redes juvenis e culturais. Isso mostra maneiras de construir redes de defesa contra o sistema de terror. No entanto, o terror de um Estado, incapaz de ganhar consenso entre a população, quando vê que estes resistem e crescem, tende a converter a todos os grupos oprimidos em objetos da repressão seletiva ou em massa de lutadores sociais: são os milhares de pres@s, perseguid@s, desaparecid@s e masacrad@s por razões políticas. A repressão neste século não tem índices legais, porém inventa leis para ferir aos seus opositores. E para que faça valer sua vontade une polícia e juízes, de todos os níveis, às forças de segurança, controle de massas, centros de espionagem, forças armadas oficiais e aos paramilitares. Estes últimos, treinados, ou não, por forças do Estado, operam ao seu lado ou servem às empresas para garantir seus negócios, roubos e depredações. Muitos são os governantes que utilizam, com despreparo, a grupos policialescos, não apenas assassinos pagos, como aqueles dos múltiplos cartéis, mas também, como em algumas regiões, à organizações fascistas como Antorcha Campesina1. Diante disso se acumula uma longa história de respostas populares, desde a ampla luta pela liberdade de presos e apresentação de desaparecidos, até a defesa comunitária, de bairros, de grupos juvenis e de mulheres, assim como o rico trabalho solidário cultural, jurídico e comunicativo.
Desde 27 de setembro de 2014, pais, mães e companheiros dos secundaristas de Ayotzinapa2 assassinados e desaparecidos em Iguala, estão sendo os protagonistas que unificam as forças populares e que se propõem a ir além do lamento e do medo. A consigna de Buscar a Verdade e a Justiça por nós mesmos como povo organizado, sem confiar no Estado, se tornou uma bandeira comum. Se nem todos lutam por aqueles que caíram, há sim exemplos de quem luta, se afrouxa a corda de medo do castigo e muitos optam por se defender.
É crescente a rebeldia contra o sistema de terror do Estado, que usa da violência para dar sobrevida ao capital, ao patriarcado, ao racismo e às opressões, mas é necessário mais.
(tradução de Daniele Oliveira e Deusane Soares)

1 Organização política mexicana, fundada em 1974 por professores e estudantes universitários e campesinos. Suas lideranças são acusadas de apoderar-se de casas e propriedades, vendendo-as e adquirindo riquezas por estas práticas. Adquirem do governo favorecimentos. A Antorcha é acusada de ser braço do partido PRI do presidente Peña Nieto e há denúncias de assassinatos de seus membros.

2 O Massacre de Iguala ocorreu em 26 de setembro de 2014, quando 43 alunos da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos em Ayotzinapa desapareceram na cidade de Iguala, Guerrero, no México. Hoje se comprova que os 43 estudantes foram sequestrados, mantidos em cativeiros e executados sumariamente. O prefeito e sua esposa são os principais acusados, o que evidencia quadros do narcotráfico no governo. Os jovens dessa escola já haviam participado de vários protestos contra o governo.

Cine Debate: "Entre Mascaras" e "Repulsa"

O Espaço Cultural Mané Garrincha exibe os dois filme neste sábado dia 20 de agosto, às 18h. Venha assistir e debater as questões levantadas pelos dois curtas.

Repulsa 

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O curta guarulhense selecionado para o Go Film, "Repulsa", traz em seu enredo as relações interpessoais em locais de rápida circulação como aeroportos, estações de metrô e pontos de ônibus. O assunto machismo é abordado de maneira crítica, demonstrando as ações diárias vividas dentro da sociedade de forma velada, onde em muitos casos a vítima é apontada como culpada pela situação. 
Sinopse: Esperando o primeiro ônibus do dia, o caminho de dois desconhecidos se cruzam e o silêncio é quebrado.
(texto Polissemia Produções)





 Entre Máscaras
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Nas salas de negociações, castelos e eventos em que o casal Dulcinéia e Gabriel se reúne há a difusão dos mais altos valores advindos da moral e dos bons costumes, fundamentos da burguesia brasileira que se apresenta como representante da civilização e da honestidade. Mas e quando eles estão no espaço privado? E quando não tem que manter a aparência pública? No submundo da elite, seus desejos animais são atiçados de forma podre. As máscaras caem, o casamento que ostentam em capas de revista se mostra fracassado. São porcos, são corruptos, pior de tudo, o que eles não aceitam, são humanos como qualquer um. Quando a cortina da convenção social se fecha, nos vemos diante dos conflitos mais extremos.
“Entre Máscaras” é o mais novo curta da Companhia Bueiro Aberto e da Barreto Filmes e foi inteiramente produzido de maneira independente e colaborativa.

(texto Cia Bueiro Aberto)

O Espaço Cultural Mané Garrincha exibe os dois filmes neste sábado dia 20 de agosto às 18h, mais cedo às 15h acontece mais um encontro do Grupo de Estudos d'O Capital.

Filmes:

Repulsa  - Direção de Daniel Torres - Polissemia Produções.
http://www.polissemiaproducoes.com.br/

Entre Máscaras - Direção de Daniel Neves - Cia Bueiro Aberto e Barreto Filmes
http://companhiabueiroaberto.blogspot.com.br/

Quando: Sábado dia 20 de agosto às 18h
Espaço Cultural Mané Garrincha
Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP 

Grupo de Estudos d'O Capital.


Sábado dia 20 tem grupo de estudos do Capital no Garrincha às 15 horas e às 18h cine debate com os Filmes 'Entre Mascaras" e "Repulsa".
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Seminário do Bloco da Esquerda Socialista

Convidamos a todas e todos que lutam para se somarem a este final de semana de debates e reflexões:

SEMINÁRIO DO BLOCO DE ESQUERDA SOCIALISTA
DIAS 12 E 13 DE AGOSTO DE 2016
LOCAL: SINSPREV/SP - R. Antonio de Godoy, nº88 - 5º andar

PROGRAMAÇÃO:
Sexta-feira, 12/8, às 19h: Ato-Debate “A Reorganização da Esquerda Socialista”
-Mesa com Mauro Luís Iasi e Plinio de Arruda Sampaio Jr.

Sábado, 13/8 (organizaremos uma creche coletiva a fim de permitir às e aos camaradas com crianças que participem dos debates):

9h-13h: Conjuntura

13h-14h: Almoço

14h-18h: A reorganização da esquerda e a estratégia anticapitalista no Brasil

Após as 18h: Confraternização no ERLA - Espaço Cultural Rosa Latino Americana (Rua Santo Antonio, 1025-A)

Segue o link da nossa reflexão sobre os temas do seminário:


Espaço cultural Mané Garrincha:


* O Bloco da Esquerda Socialista é composto atualmente pelas seguintes organizações: Coletivo Chega de Sufoco, PCB, LSR-PSOL, NOS, APS-PSOL, Socialismo ou Barbárie-PSOL, Insurgência-PSOL, Conspiração Socialista-PSOL, CORDEL, POEMA e independentes. (As contribuições textuais das demais organizações encontram-se em https://www.facebook.com/events/1061306683963060/)



Cine-debate "Capitães de Areia"

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