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Dica de Filme - HISTÓRIAS QUE O NOSSO CINEMA (não) CONTAVA


Sacada da diretora Fernanda Pessoa: falar sobre a ditadura militar por meio da pornochanchada. Selecionou cerca de 150 filmes, escolheu 27, fichou, recortou, montou e contou uma história: sem legendas, sem narradores, sem explicações. O que dizem os filmes populares da década de 1970? O que informam sobre a ditadura empresarial-militar? Que histórias podem ser contadas a partir das pornochanchadas?

Os títulos dos filmes utilizados na montagem dão ideia do que se trata: A super fêmea; As aventuras amorosas de um padeiro; Amadas e violentadas; Vítimas do prazer; Noite em chamas; Amante muito louca; Terror e êxtase; O porão das condenadas; Gente fina é outra coisa; Cada um dá o que tem; Corpo devasso; E agora, José? Tortura do sexo; O enterro da cafetina; Histórias que nossas babás não contavam; Palácio de Vênus; Elas são do baralho; Eu transo… ela transa; O bom marido; Árvore dos sexos; Nos embalos de Ipanema; Os mansos.

Primeira constatação. A ditadura empresarial-militar torturava e matava dissidentes, censurava a arte, mas autorizava a exibição pública de comédias eróticas. Por quê? Para distrair as pessoas? Os filmes reafirmavam o ideal estético do regime? Creio que as duas coisas.

Segunda constatação. As pornochanchadas eram sucesso de público no período da ditadura, posteriormente, passaram a ser assistidas clandestinamente nas sessões noturnas dos canais de televisão. Como não havia tanta pornografia disponível, não poucos recorriam às comédias eróticas, que eram assistidas quase sem som para não despertar os familiares, não raro desperdiçando boas trilhas sonoras. Imagens eróticas consumidas por muita gente vieram das pornochanchadas e, com elas, o sexismo, o machismo, a misoginia.  

Histórias que o nosso cinema (não) contava foi lançado em 2017. O filme olha para passado, mas projeta o futuro. Tornou-se ainda mais atual com a eleição de um presidente que tem tudo a ver com os porões da ditadura e, portanto, com o auge das pornochanchadas.

Reparando bem, o tempo presente é uma possibilidade contida nos filmes populares dos anos 1970. Faltou apenas a pandemia. Mas o resto está lá. O ufanismo bocó: “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” – cantam as pessoas com a camisa amarela, com tanto amor e com tanto orgulho que chegam a vaiar o hino nacional de outros países. O entreguismo atávico: tem que “vender essa porra” – disse o ministro da economia sobre o Banco do Brasil. O racismo estrutural: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais” – disse o candidato que seria eleito presidente da república. O machismo desavergonhado: “Deixa cada um se fodê do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se fodê, pô” – disse o ministro da economia, causando preocupação na ministra da mulher, da família e dos direitos humanos, afinal, quem vai controlar a lavagem de dinheiro, ou seja, a prostituição não é problema.

A pornochanchada tem muito a dizer. Poucos percebem porque apagar parte da história é uma especialidade brasileira. Ponto para Histórias que o nosso cinema (não) contava. A diretora Fernanda Pessoa teve dificuldade para encontrar e assistir os filmes. Recorreu às cinematecas do RJ e de SP. Esta última estar sem recursos e ameaçada de extinção atesta que o esquecimento é política de Estado. É por essas e outras que a ditadura empresarial-militar precisa ser passada a limpo. Empurrar a história para debaixo do tapete resulta em repetir o passado. É o que está acontecendo.

No futuro algum cineasta contará a história do tempo presente a partir das falas dos apoiadores do regime, o filme terá um quê de pornochanchada, se parecerá com Histórias que o nosso cinema (não) contava, mas talvez não existam mais cinematecas nem filmes antigos. A história se repetiria sem que as pessoas percebessem. É o sonho do governo, seria um pesadelo para o povo.



Dica de filme - EM TODA PARTE




Numa reunião da Mossad, serviço secreto israelense, discute-se quem mais contribuiu para a perseguição desenfreada aos judeus no mundo: seria a 1ª Intifada? Isabel, a Católica? Hitler? Não. Jesus teria sido este elemento, pois, desde que fora acusado de condenar seu filho rebelde à cruz, o povo judeu nunca mais teve sossego. Para remediar essa situação um revisionismo histórico entra em ação, transportando numa máquina do tempo o melhor agente de Israel para eliminar o menino sagrado ainda no berço. Missão abortada, não por piedade do agente, mas pela tentação causada por uma mulher, a mesma que um ano antes havia cativado o Espírito Santo. Loucamente apaixonado, o agente volta para os nossos dias sem se desvencilhar do culto a Maria.

Assim como o clichê acima para justificar o preconceito contra judeus no decorrer da história, outros são trazidos pelo diretor Yvan Atall no filme Em toda parte. Ora, seria puro oportunismo daquele povo querer o “monopólio do sofrimento” para si, por isso outros seguimentos despertam para lutar por seus direitos numa França que viu sua Torre Eiffel transformada numa Torre de Babel com ruivos, loiros, albinos, caolhos e cegos buscando seu espaço social. E não faltarão sequer os portadores do mal de Alzheimer a exigir “um dia pela memória de sua memória perdida”. Reivindicações que contarão com judeus, afinal, eles estão em toda parte, como atesta o desabafo de uma ex-esposa: “eu me casei com o único judeu que não tem dinheiro”. Exceção que confirmaria a regra, uma vez que os judeus são ricos e se ajudam mutuamente.

Porém, se os judeus estão unidos para conspirar contra os não judeus, a solução historicamente fracassada de eliminá-los deveria ser descartada. Em contrapartida, um referendo proposto por um deputado de extrema-direita, antissemita que se descobriu semita após a morte da avó, daria esmagadora vitória a um “sim” que converteu toda a nação francesa em judia. Festa interrompida seis meses depois com um míssil a riscar o céu parisiense. Sim, o preconceito continuaria, o que vai de encontro às lamentações do judeu paranoico, e não ortodoxo, Yvan (personagem homônima do diretor) ao concluir: “Carregamos uma cruz. Nós somos os cristãos”. E suas palavras finais encerram o filme aceitando fazer o papel de muçulmano numa peça, pois sabe que o muçulmano sofre preconceitos do próprio discriminado povo judeu. O muçulmano que é seu irmão.

Maio de 2020,
Prof. Carlos



Exibição de curtas e conversa com cineastas independentes

O Cinema dos Povos, projeto do Espaço Cultural Mané Garrincha de discussão e exibição da sétima arte, convida a todas e todos para a exibição de dois médias produzidos por Janaina Reis e Carlos Pronzato, com posterior discussão sobre o trabalho dos cineastas independentes no Brasil.

Filmes:

Janaina Reis - Doc. Solidão/ Doc./ 29 min./ 2017

Dirigido por Janaína Reis, Doc. Solidão é um filme sobre quatro
personagens que se encontram em um ponto principal, a solidão que
sentimos sem saber as vezes nomeá-la ou justifica-la. Lá no fundo, na solidão oculta, descobrimos histórias que passam desapercebidas. O filme parte da proposta de levantar a narrativa de vida de cada personagem revelando as falências, frustrações, medos e anseios humanos.

Carlos Pronzato - Comedia Negra De Buenos Aires. Teatro Afro-argentino
Doc./ 37 min./ 2011 (leg. em português)

A mediados de la década de 1980, cuando se suponía que no existían más afro-argentinos, ni se pensaba en la posibilidad de reclamar derechos culturales en el país, dos hermanas, nietas del primer y único escribano negro del país, fundan la Comedia Negra de Buenos Aires. Carmen Platero y Susana Platero, orgullosas de su ascendencia afro, eligen el camino del arte para visibilizar la presencia histórica y el legado cultural de los afro-argentinos. Esta es su historia...
Lançado em abril de 2011 pelo CEAFRO no Centro de Estudos
Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia (UFBa)

20/05 /17 (Sáb) 18h abertura do espaço, 19h início das exibições
Local? R. Silveira Martins, 131, ap. 11

(Metro Sé, saída pelo Poupatempo)



Exibição do filme "ACABOU A PAZ - Isto aqui vai virar o Chile - Escolas ocupadas em São Paulo", de Carlos Pronzato



Neste sábado (dia 20), exibiremos o mais novo filme do diretor militante Carlos Pronzato, priorizando o debate posterior sobre a educação que temos e a educação que queremos. 

Presença confirmada do diretor Carlos Pronzato!!!

Contamos com a participação de todos!




Filme: ACABOU A PAZ - Isto aqui vai virar o Chile - Escolas ocupadas em São Paulo
Sinopse: A saga dos estudantes secundaristas de São Paulo por uma educação de qualidade. O levante do segundo semestre de 2015 contra o fechamento de 94 escolas, culminou na ocupação de mais de 200 que seriam afetadas pelas ações de precarização do ensino público engendradas pelo Governo de Geraldo Alckmin que vem perdendo apoio dia a após dia. A coragem, a autonomia, a horizontalidade, a solidariedade demonstradas pelos secundaristas e o apoio popular estão presentes! Os gritos seguem ecoando na rua talvez anunciando uma profecia já concretizada: Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile!

Direção & Roteiro: Carlos Pronzato
Produção & Edição: Lucas Duarte de Souza
Imagens complementares & cenas da repressão: Caio Castor
Produção e Pesquisa: Carlos Pronzato e Lucas Duarte de Souza
Assistência de Produção: Caio Finato

Músicas:
Ocupar e Resistir

Performance: Koka
(Letra: Koka e Fabricio Ramos / Música: Rodolfo Krieger)
Direção do clipe: Marcelo Elídio

O Trono de Estudar
(Dani Black)
Direção do clipe: Alessandra Dorgan

MC Foice & Martelo

#OcupeSuaEscola
(Melodia Preto Bendi)

Material de arquivo: Seu Jornal - TVT; Minha Sampa; Não fechem minha escola; Gabriel Uchida VICE; Felipe Larozza VICE; Jardiel Carvalho R.U.A Foto Coletivo; Rodrigo Zaim R.U.A Foto Coletivo; Ativismo ABC; Ellen Flamboyant; Tiê Thiago

Coletivos: Canal Secundarista; Jornalistas Livres; O Mal Educado; Escola de Luta; Comando das Escolas Ocupadas; Pró Escolas Ocupadas; Diário da Ocupação; Território Livre.

Documentários utilizados:
A Rebelião dos Pinguins (Carlos Pronzato)
A Partir de agora, as Jornadas de Junho (Carlos Pronzato)
Tito Lima Ocupada (Doc Vozes e Porra Nenhuma Filmes)

Meios utilizados: Rede Brasil Atual; A Nova Democracia; Jornal ABCD Maior; Folha de São Paulo; Esquerda Diário; Diário do Centro do Mundo; Brasil de Fato; Carta Capital.

Agradecimentos: A todas as escolas de luta; Adilson Araújo; Lucas Koka; Rede TVT - TV dos Trabalhadores; João Carlos Madeira; Fábio Sosa; Gonzalo Graña; Leon Diniz; Severino Honorato; Armando Proncet; Maria Pinassi; Vani Duarte; Marina Duarte; Paloma Prates; Felippe Nicholas; Luiza Martins; Caio Vinicius; Paulo Donizetti; Casa da Lagartixa Preta; ECLA (Espaço Cultural Latino americano); ERLA (Espaço da Rosa Latino americana); Biblioteca Terra Livre; Batalha da Matrix; Richardson Pontone; Espaço Cultural Mané Garrincha; e Aos históricos secundaristas chilenos - Pinguins

Entrevistas realizadas por Carlos Pronzato em dezembro de 2015 na cidade de São Paulo.

Realização: La Mestiza Audiovisual www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com
& Coletivo Cinestésicos cinestesicos.wordpress.com



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AGENDA DE EXIBIÇÕES EM SÃO PAULO
Semana de 15 a 21 de fevereiro. 
Entrada Franca. Debate posterior.


"ACABOU A PAZ, ISTO AQUI VAI VIRAR O CHILE, ESCOLAS OCUPADAS EM SÃO PAULO".(dir.: Carlos Pronzato, 2016, 60 min.)

Segunda 15, lançamento em youtube (nas primeiras 24 horas 2.500 visualizações)

Terça 16, 20h - BATALHA DA MATRIX
Local: Praça da Matriz, centro de São Bernardo do Campo.

Quarta 17, 19h - ERLA - Espaço da Rosa Latino Americano
Rua Santo Antonio-1025A-Bixiga-SP Telefone:(11) 3129-4374/ 97259-5924/ 3242-1677

Quinta 18, 19h - Sede UJC (União da Juventude Comunista)
Local: Rua Francia Miquelina, 94, Bela Vista, São Paulo

Sexta 19, 19h - Ocupação Palestina Leila Khaled / Terra Livre
Local: Rua Conselheiro Furtado, Centro/Liberdade, São Paulo

Sábado 20, 19h - Espaço Cultural Mané Garrincha
Local: Rua Silveira Martins, 131, Sala 11, Sé (saída Poupatempo)


Domingo 21 (a confirmar horário) - Centro de Cultura Social
Local: Rua Gal. Jardim, Número 253, 1º Andar, Sala 22, Vila Buarque (Próximo ao Metrô República)

Exibição e debate: DEMOCRACÍDIO




Exibição do filme DEMOCRACÍDIO seguida de debate com a equipe que a realizou as filmagens, a Companhia Bueiro Aberto.

Espaço Cultural Mané Garrincha – Sábado, 11.10.2014, às 18:00, Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP.

Vivemos numa democracia? O que seria democracia? Por que os direitos garantidos nas leis não são cumpridos na prática? Se a democracia é o regime do povo, por que o estado em que vivemos ataca e violenta seu povo? Seria uma ditadura velada? Uma democracia autoritária? O que isso tem a ver com a história e o processo de colonização e escravização? Como se dá no contexto da criminalização dos movimentos sociais?Qual seria a alternativa a essa democracia? Como transformar tal realidade na perspectiva do poder popular?


São essa questões levantadas pelo primeiro filme da Companhia Bueiro Aberto: "Democracídio". Os problemas citados são discutidos em entrevistas com coletivos sociais e culturais, além de cenas de ficção onde aparecem emblemáticas figuras como o Deputado Carlos Magno, o Jornalista Orlando Maquiavel, ambos representantes da elite. Há também o poeta que avista a utopia através da arte como arma de mudança.

ROTEIRO, DIREÇÃO E PRODUÇÃO: Daniel Neves
PRODUÇÃO, ASSITENTE DE DIREÇÃO: Caio Fiumari
FOTOGRAFIA DAS ENTREVISTAS: Caio Fiumari, Roger Sanasci, Bruno Quixote
FOTOGRAFIA DA FICÇÃO: Daniel Neves, Ariane Pires
EDIÇÃO: Ton Neves
ELENCO: Juliano Lourenço, Felipe Giraldeli, Bruno Quixote, Fábio Moura

CUBA, SIM. IANQUE, NÃO.



Exibição e debate do Documentário CUBA – UMA ODISSÉIA AFRICANA (parte II)
Será nesta sexta, 26.09.2014, às 19h.
Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP

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Chile, ontem. Venezuela, hoje. Cuba, sempre!
(Subcomandante Insurgente Marcos – EZLN)

Se tremes de indignação frente a uma injustiça social, em qualquer parte do mundo, então, somos companheiros.
(Che Guevara)

No início dos anos noventa, quando Estados Unidos e Inglaterra viam em Nelson Mandela apenas mais um terrorista, o mesmo, já na condição de presidente da África do Sul, em passagem por Cuba e ovacionado por aquele povo, convidava o então presidente cubano, Fidel Castro, a visitar seu país. Mandela dirigiu-se com palavras de agradecimento a Fidel pelo apoio militar e médico dado ao seu povo em luta por libertação. Detalhe: desde 1959 os Estados Unidos tem Fidel por terrorista!

Falar de Mandela em um momento que lideranças burguesas lhe rendem homenagens nos é importante por trazer à tona a relação criminosa que as burguesias, que esses mesmos líderes representam, praticaram e praticam contra o povo do continente africano nos últimos séculos. Um desses países africanos, o Congo, pagaria caro por sua insubordinação. Seu líder, Patrice Lumumba, seria assassinado e inúmeros outros teriam a mesma sorte. Por contraponto, o braço companheiro de Che Guevara, e de seus amigos cubanos, se estenderia solidariamente, partindo do outro lado do planeta até o continente negro vilipendiado pelo branco e civilizado europeu para ajudar a por fim ao colonialismo e saques impostos pelo capitalismo.


Feito iniciado nos anos sessenta e persistindo até o início dos noventa, com mais de quatrocentos mil cubanos bravamente lutando, dos quais mais de dez mil teriam suas vidas ceifadas, o internacionalismo proletário ali deixaria de ser verbo para se tornar carne! Coisas poucas e profundas como esta gostaríamos de conversar contigo. O ponto será o documentário CUBA – UMA ODISSÉIA AFRICANA, de Jihan El Tahri.




CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS


"... Esse filme é tão triste... É feliz, mas é triste, a gente começa a pensar na vida, e a pensar na vida da gente, uma vida que devia ser assim, buscar a felicidade e mais nada, [mas] cada vez que a gente procura acontece uma coisa errada... Eu quero é ser feliz, e esse povo que aparece aí nem tem cara de que é feliz. ’’ (cinema, aspirinas e urubus).

Guerra, nazismo, imperialismo. A história de um encontro casual. A amizade. No filme de Marcelo Gomes tem tudo isso, e mais. Tem o Cinema.

O imperialismo que levou a Alemanha à guerra trouxe a Bayer ao sertão do Brasil. Johann, fugindo da guerra, vende aspirinas da Bayer pelo sertão. Sua propaganda? O cinema.

“Mas seu Johann, cinema de verdade não é assim. Não é? É num lugar fechado numa sala escura...” (cinema, aspirinas e urubus) Mas que magia é esta, que no acender da tela de baixo das estrelas, traz o fim de todos os males*, tanto na tela quanto na pílula? Cinema.

Dia 09 de novembro de 2013, sábado, às 16 horas, no Espaço Cultural Mané Garrincha.

Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo, SP.



Filme: Cinema Aspirinas e Urubus. Diretor: Marcelo Gomes, 2005, Brasil.

*Slogan da Bayer para a Aspirina.

Cinema dos Povos: Só Dez Por Cento é Mentira


De poeta e louco todo mundo tem um pouco. Manoel de Barros tem um muito (de um e do outro). Foi o próprio quem disse que poderoso é o homem que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas), elogiado de imbecil pela sentença, ficou emocionado, porque é fraco para elogios.

Poeta da pena torta, Mané de Barros vive no Pantanal com seus 96 anos e sua poesia da insignificância. E penteia garças. E carrega água na peneira. E toma sombra de árvore carregada de passarinhos. E esfrega nuvem. E encera lombo de caracol. E faz castelos de barro. Porque, como ele diz: “1) É nos loucos que grassam luarais; 2) Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua.”

As coisas coisificadas tem que ser descoisadas. A poesia da insignificância do Mané do Pantanal é significativa exatamente por isso: o poeta é um descoisador.

Quem de poeta e louco tiver um muito, ou um pouco, está convidado a assistir a película Só Dez Por Cento é Mentira, que é uma desbiografia do poeta Manoel de Barros, e mostra, sobretudo, seu processo criativo. Será assim: primeiro a película, depois bate-papo e por fim um semi-sarau. Três em uma. Numa quase oficina de troca e criação literária. Os expropriadores dos meios de produção de arte devem ser expropriados. A arte é do povo como a praça é dos pombos.

Só Dez Por Cento é Mentira.  2009. Duração: 76 minutos. Direção e roteiro: Pedro Cezar.

Sábado 15.06.2013 às 16h.

Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP.


Pintura de Manoel de Barros



 AUTORETRATO

(Manoel de Barros)

Ao nascer eu não estava acordado, de forma que
não vi a hora.
Isso faz tempo.
Foi na beira de um rio.
Depois eu já morri 14 vezes.
Só falta a última.
Escrevi 14 livros.
E deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro.
(Posso fingir de outros, mas não posso fugir de mim.)
Já plantei dezoito árvores, mas pode que só quatro.
Em pensamento e palavras namorei noventa moças,
mas pode que nove.
Produzi desobjetos, 35, mas pode que onze.
Cito os mais bolinados: um alicate cremoso, um
abridor de amanhecer, uma fivela de prender silêncios,
um prego que farfalha, um parafuso de veludo etc etc.
Tenho uma confissão: noventa por cento do que
escrevo é invenção; só dez por cento que é mentira.
Quero morrer no barranco de um rio: - sem moscas
na boca descampada!


Desenho de Manoel de Barros 

Convite: Exibição do filme Libertários e Debate sobre o movimento operário do inicio do século XX



A classe operária brasileira expressou sua verdadeira alma internacionalista nas primeiras décadas do século XX.
Composta por trabalhadores nativos e uma grande massa de imigrantes europeus, a jovem classe operaria soube enfrentar a patronal de forma autônoma, paralisando a produção, quando o patrão exigia-lhe mais suor. Respondendo com a solidariedade, através do mutualismo, quando o patrão apostava na divisão entre trabalhadores. Criando espaços políticos e culturais independentes, por oposição aos alienantes espaços burgueses. 

As grandes capitais foram palcos desses acontecimentos, sendo que, enquanto a mobilização de 1907 clamava pela defesa dos militantes estrangeiros, quando o Estado oligárquico baixou a lei Adolfo Gordo que permitia expulsá-los do país, a greve do ano de 1917 paralisava a economia dos grandes centros. Assim, os imigrantes operários dão mais um passo no Brasil na constituição dos métodos de luta, da greve e pelo fim do Estado, da propriedade privada e da religião.

Perseguidos por todos os lados, os anarco - sindicalistas brasileiros resistiram como puderam e somente depois, com a política repressora e de infiltração nos seio da classe trabalhadora no governo de Getúlio Vargas, esse sindicalismo combativo sairia de cena para dar lugar a um tipo de sindicalismo que conhecemos ainda em nossos dias, o do peleguismo.

Para saudar esse passado de glória dos trabalhadores e refletir sobre o seu legado para os lutadores de hoje é que nós do Espaço Cultural Mané Garrincha convidamos a todos para essa atividade sábado, às 15h do dia 19.05.2012, como parte comemorativa do mês que se inicia com a data do dia do trabalhador. 
Faremos a exibição do documentário “Os libertários” (30 min.) seguida de apresentação e debate.

Será no espaço Mané Garrincha, 
Rua Silveira Martins, 131, Sé, próximo ao Poupatempo, Sábado dia 19 de maio às 15 horas.

Calendário de atividades do mês de Maio

Movimento operário brasileiro do inicio do séc XX


Libertários

De repente me enxergo ante a tarefa de redigir e expor algo sobre o movimento anarquista brasileiro do início do século passado. A falta de tempo me leva à Internet, e a uma primeira constatação: faltam materiais sobre o assunto. Pesquiso sobre os Centros de Cultura Social – CCS –, porque imagino que uma greve geral como a de 1917 não se faz sem cultura classista, e também porque suspeito que os tais CCSs podem ter muito haver com o que imagino para o Espaço Mané Garrincha. Mas não encontro nada específico, salvo a história do CCS da Rua dos Trilhos – hoje na General Jardim – do qual cheguei a conhecer alguns militantes. Descubro também a existência do Centro de Cultura Social Antônio Martinez, em São Miguel/SP. Constato também a existência – pelo menos virtual – de mais um CCS, este no Rio de Janeiro.

De minha curta relação com os tais libertários guardo boas lembranças, especialmente de sua criatividade, potencializada pelos chamados grupos de afinidade, e daí as bicicletadas, o batucação etc. Mas também os achei meio ingênuos, a ponto de não saber diferenciar a repressão policial canadense da brasileira. E até confesso ter sentido uma leve mágoa “nacionalista” deles e de mim também, quando uma loira estadunidense veio cá pra baixo do equador ensinar-nos a batucar, bem aqui no país do samba. Bom, mas isso foi nos anos 2000, e não no século passado.

Segundo o historiador autodidata anarquista Edgar Rodrigues, um mestre de obras português depois naturalizado brasileiro, existiram mais de cem revistas e jornais libertários no Brasil, sendo quatro diários. Qual a popularidade da imprensa anarquista no início do século passado é uma pergunta para a qual não tenho resposta, mas não devia ser pequena, especialmente entre os imigrantes. E foram estes que trouxeram as primeiras idéias libertárias para o Brasil, especialmente os italianos.

 Nos trópicos os emigrados do velho continente encontraram uma realidade temperada à européia: jornadas de 15h, trabalho infantil noturno, repressão etc. E se organizaram, e resistiram, sua arma de luta? O anarco-sindicalismo. Seus princípios? O apartidarismo, o anti-militarismo e a ação direta, a ponto de no II Congresso Operário Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1913, ser rechaçada a participação de tribunais judiciais burgueses em lutas sindicais. Vale também lembrar que por esses tempos, a social democracia alemã, maior força de esquerda européia e mundial, aprovava no Parlamento o orçamento de guerra, aguçando o apetite imperialista do estado alemão. Por aqui os libertários rechaçavam as forçadas contribuições pró-pátria.

Em 1914 explodiu a 1º Guerra Mundial. As forças produtivas do velho continente adaptaram-se para a destruição. Diminuiu a entrada de capitais externos no Brasil, reduziram-se as exportações tupiniquins, subiram os preços internos, elevou-se o custo de vida dos trabalhadores. O valor do capital variável, só pra não variar, variou para menos. Tal variação negativa somada à cultura classista libertária levou a luta de classes para as ruas. 

Dezessete não foi a primeira greve brasileira, mas quiçá tenha sido uma das mais significativas. Ouviram-se do Ipiranga gritos de outros Pedros, e também da Mooca, nas fábricas têxteis destes bairros paulistanos começavam as primeiras paralisações da greve geral, que se se estenderia rapidamente. Nos confrontos com a polícia centenas de presos e feridos, e um morto, o sapateiro Antônio Martinez. O cortejo fúnebre do sapateiro reuniu 10 mil pessoas. A Praça da Sé abrigou assembléias gerais com até 80 mil participantes. Se considerarmos que a classe operária brasileira em 1920 era composta por mais ou menos 280.000 pessoas, dá para ter alguma noção do poder do movimento grevista. Ainda que apenas nominalmente e por pouco tempo, o estado cedeu, reivindicações foram acatadas, entre estas a redução das jornadas, o aumento dos salários e a não perseguição aos grevistas.

Lembrando das palavras da marxista polonesa Rosa Luxemburgo, em seu folheto Greve de massas, partidos e sindicatos, penso que há alguns traços comuns entre o julho de dezessete brasileiro e a Revolução Russa de 1905. “Esta primeira ação geral direta detonou, como uma corrente elétrica, uma poderosa reação interna, já que pela primeira vez se despertaram em milhões de pessoas os sentimentos e a consciência de classe.” Cabe apenas acrescentar que por estas terras a consciência de classe há tempos era nutrida pela imprensa libertária e pelos Centros de Cultura Social.

As notícias sobre a Revolução Russa de 1917 começaram a chegar ao Brasil, e foram intensamente comemoradas pelos libertários, era a primeira grande vitória proletária. Nos anos 1920 começaram a chegar relatos de perseguições políticas na Rússia soviética. Em 1922 surge o Partido Comunista do Brasil, não pelas mãos da social democracia, como em outros países, mas sim através de ex-militantes libertários, entre estes: Astrogildo Pereira Duarte da Silva. 

O anarco-sindicalismo sobreviveu ao longo da década de 1920, mas foi perdendo a hegemonia do movimento sindical brasileiro. Centenas de libertários estrangeiros foram deportados via Lei Adolfo Gordo, a repressão recrudesceu. Além disso, o perfil da classe operária brasileira foi se alterando com a aceleração da industrialização, nos anos 1930, o capital nacional passou recrutar predominantemente braços brasileiros, sem a mesma bagagem ideológica que os europeus. Paralelamente crescia a influência do Partido Comunista. A participação dos libertários restringiu-se aos poucos à atuação em pequenos grupos. A batalha da Praça da Sé contra os integralistas em 1934 – “Revoada dos galinhas verdes” – foi talvez a última grande ação dos libertários na primeira metade do século XX.

A força dos libertários brasileiros pode ter sido ao mesmo tempo uma fraqueza. Em 1923 o anarquista José Oiticica alertava sobre a inexistência de organizações libertárias capazes de sustentar o embate ideológico, os anarco-sindicatos não bastariam para destruir o capital. Os libertários quase não conseguiram impulsionar a luta de classes para além dos operários emigrados da Europa, não conseguiram incorporar outras lutas, especialmente as camponesas, tendo sua força restrita a algumas poucas cidades. Mas, na mesma época em que boa parte da social democracia européia se curvava ao parlamento burguês e ao nacionalismo imperialista, os libertários destas terras rechaçavam um e outro. Só por isso já valeria resgatar as lutas dos primeiros libertários brasileiros.    
 Zeca.

Convite: Hércules 56


  Hércules 56

 Primeiro de abril de 1964, data do golpe militar, do golpe da mentira. Mentira repetida vira tortura, vira assassinato. Quarenta e oito anos depois, a mentira repetida se transforma em absolvição de torturadores e seus mandantes (civis e fardados). A juventude se movimenta contra a farsa, apontando e escrachando torturadores. 

 Convidamos para a exibição do documentário Hércules 56.
Hércules 56. Brasil, 2006, 90 min. Documentário. Diretor: Silvio Da-Rin
                Será neste sábado, 31.03.2012, às 18h, 
                                no Espaço Cultural Mané Garrincha.
          Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP.

veja a campanha pela abertura dos arquivos da ditadura: http://espacogarrincha.blogspot.com.br/2011/05/campanha-pela-abertura-dos-arquivos-da.html
 
cartaz:
Cartaz

veja a campanha pela abertura dos arquivos da ditadura: http://espacogarrincha.blogspot.com.br/2011/05/campanha-pela-abertura-dos-arquivos-da.html

Cinema dos povos: centenário de Apolonio de Carvalho

Centenário de Apolonio de Carvalho. Cinema dos povos. Cine-debate: Documentário Vale a pena sonhar. Brasil, 2003. 74 min.

Será neste sábado, 28.01.2012, às 15h, no Espaço Cultural Mané Garrincha.

Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo/SP



Vale a pena sonhar retrata os sonhos e utopias de uma geração de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à luta pela revolução, tendo como fio condutor a história de Apolonio de Carvalho. Sua luta, sem fronteiras, junto aos republicanos na Guerra Civil Espanhola, na Resistência Francesa contra o nazismo e no combate à ditadura militar no Brasil nos anos 60, assim como fatos da vida cotidiana e familiar de militante de esquerda que assina a ficha número 1 de filiação do PT.

Convite: Cine-debate (Documentários latino-americanos no Espaço Garrincha)

Será nesta quarta-feira, 11.01.2012, às 19:30, no Espaço
Cultural Mané Garrincha.
Rua Silveira Martins, 131, sala 11, Sé, São Paulo.


Sessão interativa do Cinema dos Povos. Dessa vez nossa proposta é um pouco diferente. O bate-papo depois da sessão está mantido. Mas o/os documentário/s serão escolhidos na hora pelos presentes. Convidamos todas/todos a comparecer e trazer seus documentários sobre Nuestra América, a Pacha Mama



Cinema dos Povos: Câmera Olho

CÂMERA-OLHO. Diretor: Dziga Vertov. 78 min. Rússia: 1924. Projeto cinematográfico mais ambicioso de Dziga Vertov. Inicialmente seria uma série com 6 filmes, que no final ficou apenas com este. Explorando o máximo da linguagem visual que a montagem oferecia, Vertov mostrou a população soviética no seu dia a dia num caleidoscópio visual deslumbrante.





O meu caminho leva à criação de uma percepção nova do mundo. Eis porque decifro de modo diverso um mundo que vos é desconhecido. (Dziga Vertov)

Outubro é o mês da Revolução Russa de 1917. A radicalidade de uma revolução se mede pelo tanto que ela se espalha pelos mais diversos campos: da economia à música, da política à poesia e assim vai. Na Rússia outubrina não foi diferente: Gorki, Maiakovski e tantos outros. O cinema também se revolucionou. Dziga Vertov escavou o núcleo do fazer cinematográfico, produziu películas que não são nem documentários, nem dramas, nem musicais.  Encravou o olho na câmera e a câmera no olho. Visto de tempos embriagados de mesmice (como os atuais), Vertov é um estrangeiro; ele não cabe neste tempo de fezes, maus poemas, alucinações e espera. (Carlos Drummond)

Neste outubro, um filme vertoviano. É uma forma de enxergar a Revolução Soviética pelas retinas de seu cinema olho, sem excluir conquistas e fraturas. Aproveitamos para encaminhar dois manifestos de Vertov* e seu grupo, não porque fechamos incondicionalmente com seus princípios estéticos, mas para contestar a normalidade enlatada de hollywood e demais centros de castração da cultura dos povos.

* Quem quiser receber os manifestos pode pedir por e-mail: ecmg.blog@gmail.com

Cinema dos povos: Carabina M2: uma arma americana. Che na Bolívia.

 
Registro do pensamento político e das ações guerrilheiras de Che Guevara. O nome do documentário faz referência à arma (mostrada pela primeira vez) que executou o Che em 9 de outubro de 1967. O filme reconstrói a passagem do Che pela Bolívia através de entrevistas de importantes figuras do período como Gary Prado Salgado, responsável pela captura do Che; o guerrilheiro José Castillo (Paco), único sobrevivente da emboscada de Vado del Yeso y Salustio Choque Choque; Loyola Guzmán, o piloto que transportou o corpo do Che no helicóptero; Antonio e Osvaldo (Chato), irmãos dos guerrilheiros Coco e Inti; historiadores; investigadores e diretores da fundação Che Guevara; entre outros.

Carabina M2: uma arma americana. Che na Bolívia. Diretor: Carlos Pronzato. 90 min. 2008.



CHE, SEGUIREMOS O RUMO

Che, caminharemos os abismos
Que partem de La Higuera
Até encontrar o eco
Do disparo assassino
Que levou os dias
Que faltam no teu diário

Che, seguiremos a fumaça
Da pólvora
O brilho do teu sangue
Impregnado na neblina
E tocaremos com cuidado
Tua lembrança

Che, andaremos
Nos olhos das crianças
E em profundo silêncio
Escutaremos o grito asfixiado
Dentro do teu peito
Che, seguiremos o rumo
Dos teus passos no ar
Até encontrar tua voz
De comandante
Na perene insurgência
Dos sonhos.

(Carlos Pronzato – Do livro Che, um poema guerrilheiro)