Semáforo


Siga.
Atenção.
Pare!!Pare!!
(Grita o Semáforo)

O motorista segue tranquilo
E a criança beija o asfalto...

Carpe

Sarau para Nelson Cavaquinho


O Espaço Cultural Mané Garrincha apresentará um breve histórico e músicas daquele que foi o sambista dos aflitos. Sambou, bebeu e dormiu com os aflitos do “cabaré dos bandidos” e de todos os bares e praças do Rio de Janeiro. Estamos falando de Nelson Cavaquinho. Filho da mais pura mistura brasileira, pai negro e mãe índia guarani, herdou a dor e o sofrimento de seus antepassados, que agora está expressa no rosto de seus contemporâneos e, transformada em poesia em suas mãos, escrita em pequenos pedaços de papel. Muitas delas feitas e cantadas em seu palco preferido: a mesa de um bar. E só no último “Degrau da vida”, Nelson Cavaquinho foi reconhecido como pertencente à geração de ouro: Cartola, Noel Rosa, Sinhô e tantos outros. Anonimato que atingiu a muitos de sua época, mas não foi suficiente para soprar para os confins do fim da vida: as “Folhas Secas”; as “Folhas Caídas”; apagar a “Luz Negra” de um destino cruel como o de Nelson e de todos os seus compadres.

Depois de cem anos de seu nascimento, a sua música está aí. É o que vamos escutar, cantar e falar sobre. No dia em completaria cem anos, se sua carne etílica sobrevivesse à morte, como resiste o seu espírito.

O socialismo que queremos

Socialismo de pé no chão. E mais do que isso: que por nossas bocas passem os frutos que brotam desse chão.


Socialismo de fábrica sem patrão, privado ou estatal. E mais do que isso: menor jornada de trabalho e maior tempo de lazer. Onde o humano não seja mero apêndice da máquina.

Socialismo de bens materiais, mas também espirituais de nosso povo. E mais do que isso: que possamos dialogar com nossos filhos sobre um conto qualquer de um Machado de Assis, não porque valha nota escolar, mas por valer toda uma vida que dinheiro algum poderá comprar.

Socialismo que possa ter momentos tristes. E mais do que isso: que
possa lamentar seu passado seqüestrado, sem a polenta mineira das veredas desses nossos sertões guimarães. Que possa lamentar não ter aprendido coisas simples dos mais velhos, sem os transgênicos nos campos, sem os fast-foods nas cidades.

Socialismo sem fronteiras. E mais do que isso: que nossa terra seja um lugar de comer e beber, dormir e sonhar, mas, principalmente, que nossa terra seja para abrigar o outro, o distante. Que nossa terra nos ensine a ver cada fronteira como meramente um acordo humano, portanto, passível de ser desfeito.

Porém, tudo isso somente será verdade se desde já adotarmos alguns princípios, entre eles o de não outorgar a ninguém o exercício deste socialismo transformador/criador. E, sabedores de que a fera do cifrão anda à solta por aí, e ter a clareza de que será preciso abatê-la com nossa velha e boa pata esquerda da violência revolucionária.

Editorial publicado no Aroeira nº 06, de outubro de 2010.

Convite - Cinema dos Povos: Réquiem a Lênin

RÉQUIEM À LÊNIN. Diretor: Dziga Vertov. 62 min. Rússia 1929. Este filme é considerado o "magnum-opus" de Dziga Vertov. O ponto mais alto de sua carreira, dominando absolutamente a imagem e o som. Cineasta favorito de Lênin, Vertov foi o símbolo da revolução, o traço de união entre o partido e a classe operária. A grande maioria das imagens que vemos hoje em dia de Lênin saiu das lentes visionárias de Vertov. Réquim a Lênin descreve o líder soviético visto pela tradição popular, que nas palavras de Vertov, seria uma tentativa de cristalizar os pensamentos do povo sobre Lênin. Fez grande sucesso na União Soviética e em vários países da Europa. Nas palavras do cineasta este filme é "uma grande orquestra sinfônica do pensamento".


- Data: dia 22.10.2011, sábado, às 16h.



- Local: Espaço Cultural Mané Garrincha. Rua Silveira Martins, 131, sala 11. Sé. São Paulo/SP.

O meu caminho leva à criação de uma percepção nova do mundo. Eis porque decifro de modo diverso um mundo que vos é desconhecido. (Dziga Vertov)

Outubro é o mês da Revolução Russa de 1917. A radicalidade de uma revolução se mede pelo tanto que ela se espalha pelos mais diversos campos: da economia à música, da política à poesia e assim vai. Na Rússia outubrina não foi diferente: Gorki, Maiakovski e tantos outros. O cinema também se revolucionou. Dziga Vertov escavou o núcleo do fazer cinematográfico, produziu películas que não são nem documentários, nem dramas, nem musicais. Encravou o olho na câmera e a câmera no olho. Visto de tempos embriagados de mesmice (como os atuais), Vertov é um estrangeiro; ele não cabe neste tempo de fezes, maus poemas, alucinações e espera. (Carlos Drummond)

Neste outubro, outro filme vertoviano. É uma forma de enxergar a Revolução Soviética pelas retinas de seu cinema olho, sem excluir conquistas e fraturas.

* Quem quiser receber os manifestos pode pedir por e-mail: ecmg.blog@gmail.com

Cinema dos Povos: Câmera Olho

CÂMERA-OLHO. Diretor: Dziga Vertov. 78 min. Rússia: 1924. Projeto cinematográfico mais ambicioso de Dziga Vertov. Inicialmente seria uma série com 6 filmes, que no final ficou apenas com este. Explorando o máximo da linguagem visual que a montagem oferecia, Vertov mostrou a população soviética no seu dia a dia num caleidoscópio visual deslumbrante.





O meu caminho leva à criação de uma percepção nova do mundo. Eis porque decifro de modo diverso um mundo que vos é desconhecido. (Dziga Vertov)

Outubro é o mês da Revolução Russa de 1917. A radicalidade de uma revolução se mede pelo tanto que ela se espalha pelos mais diversos campos: da economia à música, da política à poesia e assim vai. Na Rússia outubrina não foi diferente: Gorki, Maiakovski e tantos outros. O cinema também se revolucionou. Dziga Vertov escavou o núcleo do fazer cinematográfico, produziu películas que não são nem documentários, nem dramas, nem musicais.  Encravou o olho na câmera e a câmera no olho. Visto de tempos embriagados de mesmice (como os atuais), Vertov é um estrangeiro; ele não cabe neste tempo de fezes, maus poemas, alucinações e espera. (Carlos Drummond)

Neste outubro, um filme vertoviano. É uma forma de enxergar a Revolução Soviética pelas retinas de seu cinema olho, sem excluir conquistas e fraturas. Aproveitamos para encaminhar dois manifestos de Vertov* e seu grupo, não porque fechamos incondicionalmente com seus princípios estéticos, mas para contestar a normalidade enlatada de hollywood e demais centros de castração da cultura dos povos.

* Quem quiser receber os manifestos pode pedir por e-mail: ecmg.blog@gmail.com

Cinema dos povos: Carabina M2: uma arma americana. Che na Bolívia.

 
Registro do pensamento político e das ações guerrilheiras de Che Guevara. O nome do documentário faz referência à arma (mostrada pela primeira vez) que executou o Che em 9 de outubro de 1967. O filme reconstrói a passagem do Che pela Bolívia através de entrevistas de importantes figuras do período como Gary Prado Salgado, responsável pela captura do Che; o guerrilheiro José Castillo (Paco), único sobrevivente da emboscada de Vado del Yeso y Salustio Choque Choque; Loyola Guzmán, o piloto que transportou o corpo do Che no helicóptero; Antonio e Osvaldo (Chato), irmãos dos guerrilheiros Coco e Inti; historiadores; investigadores e diretores da fundação Che Guevara; entre outros.

Carabina M2: uma arma americana. Che na Bolívia. Diretor: Carlos Pronzato. 90 min. 2008.



CHE, SEGUIREMOS O RUMO

Che, caminharemos os abismos
Que partem de La Higuera
Até encontrar o eco
Do disparo assassino
Que levou os dias
Que faltam no teu diário

Che, seguiremos a fumaça
Da pólvora
O brilho do teu sangue
Impregnado na neblina
E tocaremos com cuidado
Tua lembrança

Che, andaremos
Nos olhos das crianças
E em profundo silêncio
Escutaremos o grito asfixiado
Dentro do teu peito
Che, seguiremos o rumo
Dos teus passos no ar
Até encontrar tua voz
De comandante
Na perene insurgência
Dos sonhos.

(Carlos Pronzato – Do livro Che, um poema guerrilheiro)